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  • Foto do escritorProseg Seguros

Afinal, qual o real impacto do Embedded Finance/Insurance?


O Embedded Finance, que em uma tradução livre significa “Produtos Financeiros Embutidos”, tem sido objeto das mais diversas discussões, seja na mídia, seja em eventos específicos nos mercados financeiro e de seguros. Na verdade, trata-se de uma maneira diferenciada de comercializar produtos financeiros e de seguros, que passam a ser parte integrante dos mais variados tipos de produtos e serviços no mercado. Não se trata de uma comercialização conjugada, quando como, por exemplo, compramos um eletrodoméstico e, em paralelo, contratamos um seguro para garantia estendida do bem adquirido. O Embededd Finance vai muito além disto.


Na experiencia de compra, os produtos financeiros, os seguros e, principalmente, seus provedores (bancos ou seguradoras) são transparentes e fazem parte do produto ou serviço que está sendo adquirido. Apple Pay, Google Pay e Uber são exemplos de como grandes companhias, particularmente as Big Techs, estão utilizando o Embedded Finance na sua jornada de relacionamento com seus clientes. Quando chamamos um Uber, na verdade o meio de pagamento é invisível para o usuário, uma vez que o cartão de crédito está carregado no app e a experiência de pagamento aparentemente não envolve um banco ou operadora do cartão de crédito. Incialmente focalizado principalmente em meios de pagamentos, aos poucos novos tipos de produtos passaram a fazer parte do cardápio, tais como crédito, poupança, seguros variados e transferência de fundos, entre outros.


Enfim, Embedded Finance significa que qualquer companhia pode oferecer serviços financeiros e de seguros aos seus clientes exatamente no momento que eles precisam. Uma mudança radical. Por anos os bancos buscam atrair fluxo para seus apps. Mas, além da tecnologia, pouca coisa mudou: antigamente tínhamos contas em alguns bancos e tínhamos que visitar as agencias desses bancos. Hoje, temos contas em alguns bancos e diversos apps, na palma de nossa mão, mas ainda assim temos que ir ao banco, agora no app, para transacionar nossos produtos financeiros. No mundo de seguros, a situação é ainda pior, dada a evolução da interação digital entre as seguradoras e seus clientes.


Apesar de os bancos e as seguradoras terem uma quantidade enorme de dados sobres seus clientes, enfrentam algumas dificuldades para usar esses dados com foco na jornada de consumo de seus clientes. A primeira dificuldade ainda é a falta de capacidade dos grandes bancos, em todo mundo, de realmente utilizarem a engenharia de dados como fonte de predição de consumo. Quando os clientes contratam um financiamento para compra de veículo ou imóvel ou algum tipo de seguros, bancos e seguradoras registram o fluxo de pagamento e conseguem avaliar que um possível evento importante na vida do cliente aconteceu. Mas é uma visão em retrospectiva.


As grandes empresas de tecnologia, por sua vez, são na verdade grandes gestores de dados e estão profundamente envolvidas, devido à sua natureza operacional, na jornada de consumo e – mais ainda – de desejo de consumo de seus clientes, inclusive influenciando o que e quando consumir.


Soma-se a isto, o alto nível de lealdade dos clientes em relação às empresas de tecnologia. De acordo com a Bain Company, uma pesquisa realizada em 2019 com mais de 150.000 consumidores em 30 países revelou que “54% dos respondentes confiam mais em pelo menos uma Big Tech do que nos bancos em geral e 29% confiam mais em uma Big Tech do que no seu banco principal.”


Temos aqui a tempestade perfeita. As empresas que estão investindo pesado no campo do Embedded Finance são aquelas que dominam a jornada do cliente, interagem com seus clientes intensamente, possuem alto grau de lealdade e uma excelência sem igual no manuseio e gestão de dados. Faz todo sentido que produtos financeiros e de seguros sejam embutidos de maneira transparente em sua oferta de produtos e não o contrário.


Siga o dinheiro…


O investimento massivo das Big Techs (Google, Apple, Amazon, PingAn, entre outras), grandes varejistas, bem como empresas da economia compartilhada como Airbnb e Uber neste novo modelo de distribuição, é um prenuncio do que vem pela frente. Segundo a consultoria Mckinsey, a receita total deste tipo de operação, seja no mundo financeiro, seja no de seguros, atingiu US$ 20 bilhões em 2021, somente nos Estados Unidos, e a previsão é que este número dobre nos próximos três anos. Estima-se também que as companhias ativas neste mercado deverão alcançar um valor de mercado superior a US$ 7 trilhões em 2030. Apenas como referência, em 2020 o valor de mercado dos top 30 bancos e seguradoras era de US$ 3,6 trilhões. Isto torna este mercado extremamente atrativo ao investidor.


No mundo de seguros, o efeito tende a ser ainda maior. Segundo o Swiss Re Institute, a lacuna de proteção – diferença entre a cobertura de seguros que é economicamente adequada para indivíduos, famílias e empresas e a cobertura real no mercado – amplia-se rapidamente. E novas necessidades de proteção relacionadas com o mundo digital, mudanças climáticas, Covid, economia compartilhada, entre outras, quando comparadas com os tipos de coberturas de seguros oferecidos, geram uma lacuna de cobertura que, somente na indústria de Previdência Privada, é da ordem de US$ 20 trilhões em todo mundo. No Brasil, devido à baixa penetração de seguros, essa lacuna tende a ser maior ainda, proporcionalmente.


A grande mudança de paradigma e, portanto, o grande impacto, tanto para os bancos quanto para as seguradoras, se deve ao fato de que, neste novo modelo, eles, em grande parte, perdem o protagonismo junto ao cliente final. Se por um lado isto deve impulsionar uma onda de inovação nestes mercados, por outro deve promover uma enorme pressão nas margens e com certeza um maior nível de consolidação, especialmente no mercado de seguros em nível mundial.

Entender como se posicionar neste novo mundo, deverá ser um dos maiores desafios estratégicos dos bancos e principalmente das seguradoras nos próximos anos.


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